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sábado, 19 de junho de 2010

Dicas para Books Fotográficos – 2ª Parte

Vamos dar continuidade ao nosso artigo com dicas sobre fotos para Books Fotográficos, agora com observações importantes sobre a execução das poses.

ALGUMAS REGRAS BÁSICAS

As regras abaixo são importantes para qualquer tipo de pose:

1) Evite formar uma linha vertical com a espinha dorsal;
2) Evite formar uma linha horizontal com os ombros; e
3) Evite colocar os quadris de frente para a câmera.

Existem exceções para essas regras? Sim, porém para a maioria das imagens de book essas regras servem muito bem!

A razão para as regras 1) e 2) tem haver com linhas e curvas, conforme visto na 1ª parte deste artigo. A razão para a regra 3) é que o corpo parece mais largo quando está de frente.

POSTURA

O tempo todo o fotógrafo tem que ficar atento à postura da modelo. Quando o corpo da modelo “despenca”, acentua os ombros, produz um encolhimento do pescoço e faz a linha do busto decair.

Para ajustar a postura da modelo, peça a ela para imaginar que existe um fio preso no centro do topo da sua cabeça e que alguém está puxando esse fio para cima o tempo todo! Isso irá contribuir para endireitar a espinha, alongar o pescoço, abaixar os ombros e firmar o busto, deixando a postura mais bonita.

Se preocupe com a postura da modelo como um todo, mesmo que você esteja fotografando apenas meio corpo ou rosto, pois isso fará diferença no resultado final e vai “treinando” a modelo a manter uma boa postura.

Uma postura correta, que atende às regras básicas (modelo Carol)


PÉS E TORNOZELOS

Selecionar uma boa pose para as pernas e pés é vital quando se fotografa a modelo de corpo inteiro, pois eles contribuem bastante para a impressão geral da foto.

Evite posicionar pés e pernas retos para a câmera. Mesmo que não for mostrar os pés, peça para que a modelo mostre um calcanhar, pois isso garante a quem está observando a foto ver a frente de uma perna e o perfil da outra e força a modelo a posicionar seus quadris em ângulo com a câmera.

Modelo Carol mostrando o calcanhar em uma das pernas

Mostrar os pés com os calcanhares levantados (com sapatos altos, por exemplo) acrescenta altura à modelo, faz suas pernas parecerem mais torneadas e cria uma postura mais elegante.

Três dicas importantes:

Não corte a foto no tornozelo – o corte deve ser feito com cuidado. Evite efetuar os cortes nas articulações, pois isso cria uma sensação de membro amputado! Quando fizer fotos de corpo inteiro nunca corte a foto no calcanhar. Se for necessário eliminar os pés, corte entre o tornozelo e o joelho ou entre o joelho e o quadril.

Corte errado - no tornozelo (modelo Carol)


Corte correto – entre os joelhos e o quadril (modelo Carol)


Se mostrar os pés faça com que a modelo aponte os dedos – quando uma modelo aponta seus dedos, os pés assumem a forma de uma extensão das pernas, fazendo com estas pareçam mais longas e finas. Essa dica se aplica para poses em pé, sentada ou deitada.

Modelo Tayana Valente apontando os dedos em pose deitada

Evite mostrar a planta do pé ou do calçado – difícil ver uma foto atrativa onde aparece a planta dos pés ou a sola do calçado de uma modelo!!

Nessa composição, parte da planta dos pés ficou visível (modelo Tayana Valente)


QUADRIS E NÁDEGAS

Quando se fotografa uma modelo de costas, com o rosto em direção à câmera, ela tenderá a erguer o quadril e o ombro que estão voltados para o fotógrafo. Essa pose tende a exagerar o tamanho das nádegas e o volume da perna. Inverter o apoio (peso do corpo) para a perna que está no prolongamento do rosto e do ombro resolverá o problema e mostrará uma pose mais agradável, com quadril e ombro inclinado para baixo e em direção à câmera.

Modelo Carol em pose de costas

OBS: Isso não se aplica se a intenção for a de realçar o contorno das nádegas!

Na 3ª parte desse artigo vamos ver algumas dicas para o posicionamento de mãos, braços e ombros.

Até lá!

Ivan Cesar
http://www.ivanfotos.com.br/
Referência: "BOOK Direção de Modelos para Fotógrafos", de Billy Pegram, publicado pela Editora Photos

sábado, 5 de junho de 2010

Dicas para Books Fotográficos – 1ª Parte

Mulheres e homens contratam um fotógrafo para desenvolver um Book Fotográfico com o objetivo de criar um portifólio visando futuros trabalhos ou para satisfazer sua vaidade pessoal.

A não ser que você seja fotógrafo de uma revista ou agência de modelos, terá que lidar, na maior parte do tempo, com modelos que estão posando para as lentes de uma câmera profissional pela primeira vez, sem qualquer experiência anterior.


A modelo deve se sentir a vontade e descontraída para que possa desenvolver um bom trabalho. Cabe ao fotógrafo criar um ambiente seguro, confortável e alegre e auxiliá-la na condução do trabalho através da direção das poses.


PLANEJAMENTO

Para que você possa estar bem preparado na hora de iniciar a seção de fotos o planejamento é um item essencial.

Se você ainda não se sente seguro na orientação/direção de modelos para criar as diversas poses de um ensaio, uma boa fonte de inspiração pode ser o trabalho de fotógrafos mais experientes. Faça uma pesquisa de acervo na internet e em livros e revistas e crie um catálogo das poses e situações que mais lhe agradam. Use essas poses como base para o seu trabalho e as variações irão surgindo naturalmente durante a seção de fotos à medida que tanto modelo quanto fotógrafo fiquem mais relaxados e confiantes.

A escolha da locação é muito importante e vai depender da vontade da modelo o uso de um ambiente interno (estúdio), externo ou ambos. Procure ir ao local antes do ensaio, de forma a conhecer os equipamentos disponíveis e o tamanho do espaço, no caso de estúdios, ou estabelecer os melhores sets e estudar a luz, no caso de locações externas.

Após escolher a locação, seja em estúdio ou externa, procure desenvolver uma idéia ou conceito sobre a seção de fotos e converse com a modelo a respeito, procurando mostrar o que pretende fazer no decorrer do ensaio. Esteja aberto a novas idéias e escute o que a modelo pensa a respeito.

Uma boa forma de comunicar suas idéias é mostrar esboços ou exemplos de fotos do seu catálogo, chamando a atenção para estilos e poses que você pretende explorar no ensaio.

Em seu planejamento não esqueça de considerar a necessidade de maquiador(a), assistente, equipamentos adicionais (tripés, flashs, rebatedores, etc), assessórios e vestuário (se for o caso).

FLUXO DA IMAGEM

O Fluxo descreve como o olhar do observador é direcionado ou atraído para a imagem. O olhar entra na foto através do canto inferior esquerdo e então procura pela coisa mais brilhante na imagem. A disposição de linhas, formas, cores e tons direcionam essa procura e o fotógrafo deve saber explorar esses elementos para controlar o fluxo e levar o olhar do observador para o ponto de interesse da imagem. Fixar o olhar do observador é o objetivo de se criar um fluxo!

TÉCNICAS DE FLUXO


Para controlar o fluxo e direcionar a atenção do observador, o fotógrafo deve ter conhecimento das técnicas básicas do uso de linhas, curvas, composição, perspectiva, tonalidade e cor.

Linhas – linhas retas dão à imagem uma aparência mais estruturada e firme. Linhas diagonais são mais dinâmicas, proporcionando uma idéia de movimento e equilíbrio à foto.

Curvas – são mais estilosas e elegantes do que as linhas retas. Criam um look suave e sensual ao serem usadas em poses. A curva “S”, em particular, é uma forma bonita e graciosa que é sempre agradável ao olhar!


Composição – é o termo usado para descrever o posicionamento da modelo em relação a todos os elementos dentro da cena. O enquadramento mais utilizado para compor uma imagem impactante ainda é através do uso da velha e conhecida “Regra dos Terços”! Para belas imagens de retratos, isso significa que o rosto ou os olhos da modelo deverão estar posicionados em um dos pontos de ouro da linha de interseção superior.

Outro ponto importante: quando compor uma imagem em movimento, procure deixar um espaço extra para o lado da imagem para a onde a modelo está se movimentando. Isso cria um espaço para o olhar do observador acompanhar o movimento sem uma interrupção brusca na margem da foto.

Perspectiva – é um elemento que ajuda a dar profundidade na imagem e também a separar ou aproximar os planos, podendo ser utilizada para direcionar o olhar do observador. O uso de objetivas zoom e grande angular e o posicionamento das linhas na imagem podem proporcionar ótimos efeitos de perspectiva, levando o olhar até a modelo.

Tonalidade – O contraste atrai nosso olhar e a variação de tonalidades na imagem pode propiciar a ocorrência de pontos de alto contraste. Os diversos tons dispostos na imagem ajudam a direcionar o olhar e a dar equilíbrio na foto.

Cor – cores saturadas e intensas atraem mais o olhar do que cores com tons pastéis ou suaves. Da mesma forma, cores quentes (como vermelho e amarelo) atraem mais atenção do que cores frias (como azul e verde).

Na 2ª parte desse artigo vamos ver algumas dicas para a execução das poses.

Até lá!

Ivan Cesar
http://www.ivanfotos.com.br/
Referência: "BOOK Direção de Modelos para Fotógrafos", de Billy Pegram, publicado pela Editora Photos

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Princípios da Composição Fotográfica

Introdução

"A composição deve ser uma de nossas preocupações constantes, até nos encontrarmos prestes a tirar uma fotografia; e então, devemos ceder lugar à sensibilidade". Henri Cartier-Bresson

Ponto de vista e composição - A capacidade para selecionar e dispor os elementos de uma fotografia depende em grande parte do ponto de vista do fotógrafo. Na verdade, o lugar onde ele decide se colocar para bater uma foto constitui uma de suas decisões mais críticas. Muitas vezes uma alteração, mesmo mínima, do ponto de vista, pode alterar de forma drástica o equilíbrio e a estrutura da foto.

Por isso, torna-se indispensável andar de um lado para o outro, aproximar-se e afastar-se da cena, colocar-se em um ponto superior ou inferior a ela, a fim de observar o efeito produzido na fotografia por todas essas variações. A composição nada mais é do que a arte de dispor os elementos, do assunto a ser fotografado, da forma que melhor atenda nossos objetivos.

Perspectiva - A perspectiva é um indicador de profundidade para a fotografia. Em essência, a perspectiva dá a impressão de que você está olhando para uma cena tridimensional. Os principais tipos de perspectivas usados na fotografia são:

• perspectiva linear: mais evidente, linhas paralelas (trilho de trem), parecem convergir ou se encontrar ao longe.

• perspectiva aérea: deve levar em conta que as cores e os tons clareiam e tendem para o azul a medida que se distanciam.

• formas justapostas: assunto a ser fotografados deve estar em distâncias diferentes.

• redução de escala: as coisas parecem menores à medida que se afastam.

• foco diferencial: os objetos focados e os desfocados devem estar a distâncias diferentes da câmera.

Planos - Os Planos determinam o distanciamento da câmera em relação ao objeto fotografado, levando-se em conta a organização dos elementos dentro do enquadramento realizado. Eles se dividem em três grupos principais (seguindo-se a nomenclatura cinematográfica) Plano Geral, Plano Médio, Primeiro Plano. Uma mesma fotografia pode conter vários planos, sendo classificada por aquele que é responsável por suas características principais.

• Plano Geral - o ambiente é o elemento primordial. O sujeito é um elemento dominado pela situação geográfica.

• Plano Médio: neste plano, sujeito ou assunto fotografados estão ocupando boa parte do quadro, deixando espaço para outros elementos que deverão completar a informação. Este plano é bastante descritivo, narrando a ação e o sujeito.

• Primeiro Plano: enquadra o sujeito dando destaque ao gesto, à emoção, à fisionomia, podendo também ser um plano de detalhe, onde a textura ganha força e pode ser utilizada na criação de fotografias abstratas.

Também é comum utilizarmos a expressão "Segundo Plano" para nos referirmos a assuntos, pessoas ou objetos, que mesmo não estando em destaque ou determinando o sentido da foto, têm sua importância.

Harmonia de Linhas:
As linhas dominantes ajudam a organizar a fotografia. Pode ser a borda de um objeto, o horizonte, um rio que cruza uma cena. Elas estabelecem pontos de interesse e conduzem a vista. Mantém unidos todos os demais temas da imagem. A imagem é definida pela escolha dos elementos visuais e a manipulação destes elementos, de acordo com o efeito pretendido.

Linhas
Limite – forma – intenção

• Linhas diretas – rigor, decisão
• Linhas curvas – união, totalidade
• Linhas quebradas – desordem, confusão
• Linhas horizontais repetidamente – calma, paz
• Linhas verticais repetidamente – grandeza, extensão
• Linhas oblíquas convergentes – infinito
• Linhas oblíquas repetidamente – ação, dinamismo

Volume e Textura

Volume - Enquanto a forma plana pode ser eficiente como descrição bidimensional da aparência, a forma espacial (volume) acrescenta uma terceira dimensão, a da profundidade, portanto a da realidade. A aparência da forma depende da maneira como a luz incide sobre o objeto e da transição das altas luzes para a sombra que produz o volume e a solidez.

A forma espacial, ou a tridimensionalidade, de um objeto é o resultado do escurecimento gradual, quer da cor, ou do tom. Uma área de cor ou tom chapado não dá nenhuma impressão de profundidade, para isso tem que haver uma gradação da cor ou do tom.

Textura - É a interpretação visual das características da superfície tátil dos objetos e, como tal, tem um papel importante a desempenhar em quase todas as fotografias bem realizadas. Como o tato é uma parte decisiva de nossa experiência cotidiana, a textura forte de uma imagem colabora para criar essa ilusão bidimensional da realidade que é a fotografia.

A aparência da textura depende do ângulo de incidência da luz sobre a superfície. Uma luz baixa com um ângulo muito inclinado ilumina os pontos salientes, lançando sombras nas depressões e cavidades e fazendo com que se possa ver sobretudo a textura das superfícies, e não apenas a área chapada. Serve tanto para áreas isoladas como para amplos enquadramentos.


Autor: Fernanda Preto
Colunista do site Webventure – http://www.webventure.com.br/